terça-feira, 24 de julho de 2012

A Subjetividade da Perda e a Violência


Dentro da temática da Subjetividade da Perda, abordaremos agora sua relação com a temática violência.
É importante reafirmarmos o reconhecimento da violência como um problema de saúde pública, embora não específico da área da Saúde, visto que é resultado de uma complexa interação de diversos fatores, que podem ser individuais, sociais, econômicos,culturais, dentre outros. Por esta razão, a sua abordagem deve ser interdisciplinar e multidisciplinar apoiada no avanço dos conhecimentos científicos e na superação das desigualdades, no respeito aos direitos humanos, implicando na articulação da segurança, da saúde e do desenvolvimento social, e deve ser enfrentada pelos diversos setores da sociedade e do Estado.
A violência acompanha toda a experiência da humanidade e em suas origens e manifestações é um fenômeno sociohistórico e existencial da raça humana.
Conforme o Ministerio da Saúde (2005) em si, ela não é, uma questão de saúde pública, mas

 “transforma-se em problema para a área, porém, porque afeta a saúde individual e coletiva e exige, para sua prevenção e tratamento, formulação de políticas específicas e organização de práticas e de serviços peculiares ao setor”.
 De acordo a      Organização Pan-Americana da Saúde:
A violência, pelo número de vítimas e pela magnitude de seqüelas orgânicas e emocionais
que produz, adquiriu um caráter endêmico e se converteu num problema de saúde pública
em muitos países (...). O setor Saúde constitui a encruzilhada para onde convergem todos os
corolários da violência, pela pressão que exercem suas vítimas sobre os serviços de urgência,
atenção especializada, reabilitação física, psicológica e assistência social (ORGANIZAÇÃO
PANAMERICANA DA SAÚDE, 1994, p. 5).

Analisada como problema social, a presença da violência é lembrada como referencia bíblica que se inicia com uma disputa fratricida e a morte de Abel por Caim (Genesis 4), evidenciando a convivência da sociedade humana com as perenes disputas de poder,sentimentos de ciúme, inveja, ira, com
os ódios e com a vontade de aniquilamento de uns pelos outros.
A OMS revela em seu Relatório Mundial sobre Violência e Saúde ” (ORGANIZAÇÃO
MUNDIAL DA SAÚDE, 2002, p.3) que “todo ano, mais de um
milhão de pessoas perdem a vida e muitas outras sofrem lesões não fatais
por causas violentas.
 Conceituando violência

De acordo com meus estudos, pesquisas e vivencia como neuropsicólogo, psicólogo e teólogo conceituo violência como: ato ou efeito de danos, cujas marcas proporcionam a subjetividade da perda, causam impacto emocional, gerando sentimento de dor, ira, medo, tristeza, angustia, crise existencial; e fenômeno de transgressão e violação que exprime a essência do mal.
Conforme o Ministério da Saúde em sua publicação Impacto da Violencia(Ministerio da Saúde 2005) a violência é um fenômeno de causalidade complexa, sendo que esta não é uma, é múltipla.
A palavra violência é de origem latina, o vocábulo vem da palavra vis que quer dizer força e se refere às noções de constrangimento e de uso da superioridade física sobre o outro. Sob uma visão simples o termo parece neutro, até mesmo esvaziado de sentido, mas quem analisa os eventos violentos descobre que eles se referem a conflitos de autoridade, a lutas pelo poder e a vontade de domínio, de posse e de aniquilamento do outro ou de seus bens. E suas manifestações são muitas vezes aprovadas ou desaprovadas, lícitas ou ilícitas segundo normas sociais mantidas por usos e costumes naturalizados ou por aparatos legais da sociedade, como no caso da violência contra a criança em forma de surras e castigos ou atos de ditaduras de sistemas de governos. Como ente em constante mutação, a violência designa, pois – de acordo com épocas, locais e circunstâncias – realidades muito diferentes. Há violências toleradas e há violências condenadas.

“... Mas, a própria violência é que se apresenta como um fenômeno pulverizado,
atingindo a vida privada e a vida pública em todos os seus aspectos, os mais visíveis e
os mais secretos” (CHESNAIS, 1981, p. 11).

A violência não pode ser vista por uma optica em que sua  noção venha enquadrada  numa definição fixa e simples é expor-se a reduzi-la, a compreender mal sua evolução e sua especificidade histórica. Pois Domenach, introduzindo os registros de um seminário da Unesco sobre o mesmo tema, em 1981 diz:

“Suas formas mais atrozes e mais condenáveis geralmente ocultam outras situações menos
escandalosas, por se encontrarem prolongadas no tempo e protegidas por ideologias ou instituições
de aparência respeitável. A violência de indivíduos e grupos tem que ser correlacionada
com a do Estado. A dos conflitos, com a da ordem (Domenach, 1981, p. 40).

A complexidade para conceituar a violência vem do fato dela ser um fenômeno da ordem do experenciado e cujas manifestações causam ou são causadas por uma grande gama de carga emocional de quem a comete, de quem a sofre e de quem a presencia. Seu impacto tem como consequência mudanças no comportamento dos atores (sujeito agente e paciente) envolvidos no processo.  Por esta razão, para entender a sua dinâmica na realidade social brasileira é importante compreender de que maneira a sociedade vê o tema, buscando o ponto de vista do senso comum e acadêmico. Os eventos violentos sempre passam pelo julgamento moral da sociedade.
O senso comum vê a violência como crime, corrupção ou pecado. A violência dominante
na consciência contemporânea é a criminal e delinqüencial. O fenômeno deste tipo de  violência
nunca teve a tolerância social, uma vez que ele fere, antes de tudo, a moral fundamental
de todas as culturas que pode ser traduzido como preservação da vida, das convenções sociais e da segurança da propriedade privada.

Chesnais (1981) distingue no imaginário social atual, três definições de violências que contemplam tanto o âmbito individual quanto o coletivo: no centro de tudo, a violência física, que atinge diretamente
a integridade corporal e que pode ser traduzida nos homicídios, agressões, violações,
roubos à mão armada; a violência econômica que consiste no desrespeito e apropriação,
contra a vontade dos donos ou de forma agressiva, de algo de sua propriedade e de seus
bens. Em terceiro lugar, a violência moral e simbólica, aquela que trata da dominação
cultural, ofendendo a dignidade e desrespeitando os direitos do outro.”(Ministerio da Saúde, 2005)


Filósofos e cientistas também têm contribuído para a reflexão deste temática. Domenach (1981), um dos grandes pensadores sobre o tema, sublinha a idéia de que a violência está inscrita e arraigada
não só nas relações sociais, mas principalmente, é construída no interior das consciências
e das subjetividades. Por isto, esse fenômeno não pode ser tratado somente como uma força exterior aos indivíduos e aos grupos. Ao contrario, sua visão se projeta na direção inversa ao senso comum que costuma colocá-la como um fenômeno sempre produzido pelo “outro”:

“É demasiado fácil e ineficaz condenar a violência como um fenômeno exterior, e inclusive,
como algo estranho ao ser humano, quando, na verdade ela o acompanha, incessantemente,
até na articulação de seu discurso e na afirmação mesma da evidência racional” (DOMENACH,
1981, p. 37).
Sobre as dificuldades de definições e de julgamento de valor o mesmo autor afirma:

estou convencido de que é inútil buscar uma resposta categórica na filosofia ou na
moral, ao problema que a violência levanta. Por seu aspecto ontológico, ela não pode
ser dissociada da condição humana” (DOMENACH, 1981, p. 38).

Domenach reforça a idéia de que, sobretudo, ela não pode ser analisada nem tratada fora da sociedade que a produz em sua especificidade interna e em sua particularidade histórica.
Daí termos a visão que esta também deve ser analisada dentro da óptica da psicologia e da neuropsicologia, aquela dentro do ponto de vista social e individual. No aspecto neuropsicológico, psicológico do indivíduo podemos analisar da seguinte forma: as afasias (lesões no cérebro) podem influenciar e modificar o comportamento do sujeito.







Para saber mais:



Referências:
DOMENACH, J. M., 1981 La violencia In: La Violencia y sus Causas, (A . Joxe, org.) pp. 33-45, Paris: UNESCO.
Ministerio da Saúde. Impacto da violência na saúde dos brasileiros. Brasilia. 2005.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Classificação estatística internacional
de doenças e problemas relacionados à saúde. 10. rev. São Paulo: EDUSP, 1996. v. 1.


segunda-feira, 23 de julho de 2012

A subjetividade da perda e o uso de substâncias psicotrópicas-parte final


Alguns estudos apontam para o aumento do consumo de drogas,
experimentação e o uso regular em faixas etárias cada vez menores, acarretando
graves problemas de saúde física e mental a esses indivíduos que estão em fase de
desenvolvimento.
Observa-se, também, que os motivos para o uso/abuso e a dependência
química não são simples e não se conhece um motivo que, sozinho, seja
determinante ou causador desse comportamento. O que existe são situações de
vida que favorecem ou que inibem o uso de drogas. Os estudiosos do assunto
denominam esses fatores como de “risco ou de proteção”.
Tantos os fatores de riscos como os fatores de proteção estão presentes no
próprio indivíduo, presentes na família, na escola, na comunidade.
O consumo de substâncias psicoativas é considerado uma questão de saúde
pública extremamente relevante em praticamente todo o mundo. Nenhuma
abordagem isoladamente tem qualquer chance de sucesso no manejo dessa
situação. Dessa forma, é fundamental que gestores, pesquisadores, pessoas
envolvidas em prevenção, tratamento, redução de danos, e outros interessados em
temas relacionados a álcool, tabaco e outras drogas possam ter uma linguagem
comum para que uma discussão frutífera possa realmente ocorrer, possibilitando
avançar na busca de soluções mais efetivas para os problemas associados ao
consumo de substancias psicoativas.
Devemos entender a dependência química como uma doença bio-psícosocial,
formada por componentes biológicos, psicológicos e de contexto social. É
claro que as estratégias de abordagem do problema devem incluir, igualmente,
elementos biológicos, psicológicos e sociais. Por isso não deve ser tratada apenas a
doença cerebral subjacente à drogadicção, mas tratar, sobretudo, as alterações
emocionais do paciente, bem como abordar os problemas sociais.
As entidades sócio-comunitárias que lidam com o assunto, muitas vezes preferem
não se envolver nessa discussão. Entretanto, o trabalho deve estar estruturado na
multidisciplinaridade e nesse contexto é importante que temas como a drogadicção
faça parte das entidades sócio-comunitária, visando principalmente estabelecer os
fatores de proteção e de risco.
A preservação da saúde integral de um indivíduo ou de um grupo social
dependerá do fortalecimento dos fatores de proteção e da prevenção aos fatores de
risco.
Como subjetividade da perda as drogas representam um grau de complexidade que afeta a sociedade como um todo.
Encerramos aqui nossa abordagem sobre  A subjetividade da perda e o uso de substâncias psicotrópicas.
Veja nos vídeos a seguir a perda da imagem de si mesmo, sua dignidade e sua auto-estima, no que o fim foi a auto-destruição. Drogas o mal que destrói.

 

Este vídeo resume todas as postagens, dando uma esperança a tod@s que vivem o problema das drogas, que Deus abençõe você e até nossa próxima postagem!
 


A subjetividade da perda - o uso de substâncias psicotrópicas e sua ação no sistena nervoso central


DROGAS E SUA AÇÃO NO SISTEMA NERVOSO CENTRAL

Continuando nossa temática sobre o uso de substâncias psicotrópicas, hoje falaremos sobre sua ação no sistema nervoso central (SNC).
Entende-se por droga como sendo as substâncias que agem no sistema
nervoso central (SNC), produzindo alterações de comportamento, humor e cognição, possuindo grande propriedade reforçadora sendo, portanto, passíveis de autoadministração, ou seja, uso não sancionado pela medicina. Em outras palavras,
significa dizer que são drogas que levam à dependência.
O CÉREBRO - O cérebro controla e integra todo movimento e conduta
humana. Quase todas as drogas, em seu abuso, modificam a conduta pela ação que exercem no cérebro e no tronco encefálico. As modificações de conduta causadas por drogas que provocam emoções incontroláveis, restrição do armazenamento de informação, capacidade limitada para tomar decisões e outros tipos de conduta sem controle, tem levado os pesquisadores a estudar as reações nas diversas áreas do cérebro.
Depois que a droga entra no tecido nervoso do cérebro, pode ocorrer várias
reações, porque as várias drogas parecem ter como destino áreas diferentes.
TRONCO ENCEFÁLICO (Centros vitais) - Medula, e mesencéfalo. Estas
estruturas são fundamentais, principalmente o conjunto de fibras nervosas, ou
canais, que transportam mensagens entre a medula espinhal e o cérebro.
A medula é muito especial porque contém os centros respiratório, cardíaco e
vasomotor. Quando as drogas inibem completamente esta área, ocorre a morte por
parada respiratória.
O TÁLAMO (interruptor dos estímulos) - O tálamo é o "painel de controle" do
cérebro, visto que todos os sinais de entrada e de saída passam através desta área.
O HIPOTALAMO - O hipotálamo mantém a temperatura do corpo, regulando
a produção de hormônios, mantendo o balance da água no corpo e medindo as
necessidades nutricionais, sexuais e inumeráveis funções corporais.
Sobre o abuso de drogas, talvez as duas áreas de interesse mais importantes
do hipotálamo são as de:
a. Prazer e dor,
b. Fome e saciedade.
Estas áreas de prazer e de dor são de muita importância no uso e
abuso de drogas, porque se crer que estas, quando provocam uma
intensa euforia, o fazem devido a estimulação das mesmas áreas de
prazer do hipotálamo, ou da depressão de células dos centros
correspondentes à dor.
O estudo científico da ação das drogas no centro de prazer pode ser muito
importante para a análise da dependência psicológica.
CEREBELO (coordenação) - O cerebelo controla o equilíbrio e a coordenação
dos movimentos do corpo, integrando as mensagens que chegam da área motora,
os nervos sensoriais espinhais, o sistema de equilíbrio do ouvido e dos sistemas
auditivo e visual. Quando o mesmo é fortemente afetado, certamente não causará a
morte, mas movimentos descoordenados.
Em seguida apresentamos alguns vídeos sobre esta temática,convidamos você a vê-los.



Para saber mais:



 

sexta-feira, 20 de julho de 2012

psicologo carlos araujo: Subjetividade da perda- perda da afetividade e o u...

psicologo carlos araujo: Subjetividade da perda- perda da afetividade e o u...: Damos continuidade ao nosso tema, porém hoje nossa atenção estará voltada para a figura do usuario de drogas. O DROGADICTO No Dici...

Subjetividade da perda- perda da afetividade e o uso de substâncias psicotrópicas IV

Damos continuidade ao nosso tema, porém hoje nossa atenção estará voltada para a figura do usuario de drogas.


O DROGADICTO

No Dicionário Aurélio século XXI, o termo drogadição tem a seguinte
explicação: "Adicto" vem do lat. Addictu é um adjetivo, que significa 1) Afeiçoado,
dedicado, apegado. 2) Adjunto, adstrito, dependente. 3) Em medicina é quem não
consegue abandonar um hábito nocivo, mormente de álcool e drogas, por motivos
fisiológicos ou psicológicos”. Daí vem à expressão de indivíduo adicto. (Ferreira
2004 p. 522)
O termo drogadicto é preferido por alguns autores ao de toxicômano que seria
o usuário de tóxico + mania, que em psiquiatria mania é uma síndrome mental
caracterizada por exaltação eufórica do humor, excitação psíquica, hiperatividade,
insônia, etc., e, em certos casos, agitação motora em grau variável ou uma das duas
fases alternativas da psicose maníaco-depressiva, psicopatia que se manifesta por
acessos, que se alternam de excitação psíquica e de depressão psíquica, como por
exemplo, a psicose canábica causada pelo uso prolongado de maconha. Em resumo
define que se trata de pessoa propensa e apegada à droga, enquanto que
drogadicto é mais elucidativo e define quem passa a viver em função do tóxico em
(condição de escravo dependente) (KALINA, 1999).
Neurologicamente a drogadicção deve ser considerada uma doença. Ela está
ligada a alterações na estrutura e funções cerebrais, e isso torna a drogadicção
fundamentalmente uma doença cerebral. Inicialmente, o uso de drogas é um
comportamento voluntário, mas, com o uso prolongado um "interruptor" no cérebro
parece ligar-se, e quando o "interruptor" é ligado, o indivíduo entra em estado de
dependência química caracterizado pela busca e consumo compulsivo da droga.
O drogadicto, nega suas dificuldades, porque a sua dependência o faz
acreditar que o objeto provocador de suas manifestações comportamentais
anômalas é a droga que está fora de sua identidade e não dentro dele. A considera
como objeto que elegeu como o faz o desportista que escolhe uma modalidade
esportiva (KALINA, 1999).
A droga passa a ser um agente de todas as suas atividades e a única que
passa a confiar na sua relação com o mundo, tornando-se em conseqüência um
escravo (dependente) do tóxico.
Quando se inicia a dependência por ser um drogadicto, vive somente através
das drogas e em razão dela. Perde o afeto que o une as pessoas de seu círculo e a
transfere para a droga. Aos poucos vai se fechando num mundo restrito de pessoas
que usam droga, criando uma falsa concepção de que todos tanto os de dentro
como os de fora do grupo são usuários (KALINA, 1999).
Os drogadictos, via de regra, são personalidades dominadas por angustias e
temores, cuja qualidade e intensidade os convertem como portadores de
sentimentos insuportáveis para o seu ego, a insegurança em si mesmo, a baixa
auto-estima e a desorganização de seus valores no seu ser, estar e agir criam uma
enorme insegurança, e o medo de ser destruído cria uma forma paranóica violenta
que domina este tipo de personalidade, daí a estrutura volúvel do adicto que possui
uma resistência psicológica muito fraca. (THEOPHILO 2004)
Segundo esse mesmo autor, não existe uma estrutura definida de
personalidade que conduza a adicção desde que o próprio conceito de
personalidade é complexo. Existem centenas de definições. De forma geral
podemos dizer que é um conjunto de padrões de comportamentos tais como pensamentos, sentimentos e crenças características de um indivíduo.
Vale a pena lembrar que o termo atual e politicamente correto para drogadicto(termo mais científico) é usuario.
 
Imagens de cérebros de usuarios de drogas




 

Para saber mais: